Alerta: El Niño 2026

(Imagem: OMM)

Pare um pouco e respire profundamente. Esqueça por alguns minutos as guerras e outros absurdos. Um El Niño de forte intensidade está se formando no Oceano Pacífico. Essa informação é da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O El Niño consiste no aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica global e modifica os padrões climáticos em todo o planeta. Na prática, esse aquecimento das águas libera uma quantidade imensa de energia para a atmosfera, alterando ventos. Isso cria uma espécie de “efeito dominó”: a umidade que deveria cair em certas regiões é desviada, causando secas severas onde deveria chover e tempestades catastróficas onde o clima deveria ser seco.

Em 2024, um El Niño provocou as chuvas intensas no Rio Grande do Sul e um calor de até 37,8°C em São Paulo. Imaginem o que pode causar o mesmo fenômeno com maior intensidade. Será que atingiremos em São Paulo a marca mais preocupante de 40°C?

É importante parar e pensar sobre isso porque trata-se de uma situação de alerta que deve ser máximo. Se os recordes de 2024 já testaram os limites da nossa saúde pública e infraestrutura, a possibilidade de superarmos essa marca térmica coloca a metrópole em um cenário de “ilha de calor” insustentável, onde o concreto e o asfalto amplificam a radiação a níveis perigosos. Isso em São Paulo.

As eleições estão aí? Ótimo! É a hora de cobrar medidas emergenciais. Também é hora de cobrar dos partidos políticos que apresentem candidatos políticos comprometidos com a causa ambiental. É urgente que os cientistas e a sociedade civil abandonem a neutralidade tradicional e exijam que o conhecimento técnico não seja subordinado a interesses corporativos. Em situação de calamidade pública não se deve pensar em interesses privados; a preservação coletiva e a justiça distributiva devem sobrepor-se ao lucro imediato. Precisamos de um programa unificado que trate o colapso climático como o eixo central da gestão pública, e não como um tópico periférico.

Como próximos passos fundamentais, devemos analisar rigorosamente as propostas ambientais dos candidatos para garantir que não sejam apenas promessas vazias, mas planos concretos de adaptação urbana. É necessário também pressionar pela criação de sistemas de monitoramento em tempo real que protejam as populações mais vulneráveis às ondas de calor e assegurem que a infraestrutura das cidades suporte os eventos extremos que o segundo semestre de 2026 nos reserva.

Aqui no Esverdeando rascunhamos um programa ambiental que pode servir de parâmetro para análise de projetos e propostas. Ao mesmo tempo, aceitamos contribuições para aprimorar o programa.

Referência Bibliográfica

ORGANIZAÇÃO METEOROLÓGICA MUNDIAL (OMM). Atualização climática sazonal global para maio-junho-julho de 2026. 21/04/2026. Disponível em: https://wmo.int/media/update/global-seasonal-climate-update-may-june-july-2026  Acesso em: 07 mai. 2026.

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